Outros Tapetes, Viagens
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Monaco na Islândia

Rafael Monaco tem características que adoro: é dono de uma crítica inteligente e de um senso de humor ímpar. Quando junta ambos, é brilhante. Há pouco, descobri mais um lado adorável do jornalista gaúcho: ele sabe viajar. Recentemente ele pegou seu tapete e foi para a Islândia. E é sobre a experiência que conversamos.

Por que a Islândia?

Eu costumo dizer que a Islândia não é simplesmente outro país. A Islândia é outro planeta. Quando eu pousei lá pela primeira vez, em 25 de junho de 2010, o sol da meia-noite iluminava os campos de lava a perder de vista ao redor do aeroporto de Keflavík. Então, de um lado estava o oceano, de outro os campos de lava e o sol da meia-noite. Uma combinação indescritível. Ali eu soube que aquela seria a primeira de muitas vezes. 

Não, a Islândia não é só uma ilhazinha perdida lá em cima no mapa, onde tudo é cinza e as pessoas tristes. No mundo da Islândia, o que mais tem é cor, principalmente da natureza. Os nativos são divertidos, simpáticos, solícitos e extremamente orgulhosos do lugar onde vivem. Aos forasteiros resta babar com geleiras e vulcões, montanhas e cachoeiras, gêiseres, fiordes, fontes de água termal, piscinas naturais de água azul turquesa a mais de 35 graus ao ar livre. A praia tem areia preta, como cinzas de vulcão. A Islândia é de encher os olhos até transbordar. Parece exagero, mas não é.

Da primeira vez, fiz a capital Reykjavík de base e visitei, em day trips, o sul e o leste. Aí decidi planejar uma segunda ida mais ousada, para conhecer o norte e os fiordes do oeste (Westfjords) de carro. Montei um roteiro e já estava tudo pago quando recebi uma proposta de trabalho e mudei de emprego. Isso foi em fevereiro de 2013 e eu viajaria em março. Guardei o roteiro e, dois anos depois, consegui tirá-lo da gaveta para fazer a viagem que eu queria.  

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Só ou acompanhado?

Encontrei uma amiga em Londres, voamos juntos para Reykjavík onde ficamos quatro dias. Ela seguiu outro rumo e eu fui sozinho para o norte e depois para Westfjords, onde nos reencontramos seis dias depois.

Estou acostumado a viajar sozinho há muito tempo. Meu primeiro mochilão, de quase três meses, eu fiz em 1997, aos 18 anos. Desde então, quase sempre é assim que viajo. São momentos de diversão e descanso, claro, mas também de introspeção, silêncio e contemplação. É o tal do “voltar-se para si”.

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Quanto tempo no país, desta vez?

Desta vez foram 15 dias, de 3 a 18 de abril. Em 15 dias, dirigi 2.862 km pelas estradas islandesas e visitei, ao todo, 14 cidades e pequenos povoados.

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Como faz seus roteiros?

Sou viciado em programar minhas viagens com antecedência. Toda a preparação, meses antes, com pesquisa e rascunho de roteiros, é começar a viajar. Como viajaria muito de carro e as viagens seriam longas, acabei pesquisando e reservando pequenos hotéis onde pudesse passar a noite. Como o período é de baixa temporada, muitos estão fechados e os donos só abrem se recebem pedido antecipado. Em dois deles, me foi deixada a chave na porta com instruções, por exemplo. A dona só apareceu no dia do check out.

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O Que Ver?

Na Islândia, a época do ano determina o que será possível ver e fazer. Na primavera e no verão, há mais acessos e estradas abertas e até melhores condições de voos internos. É quando os dias são claros o tempo todo, as temperaturas são amenas (em torno de 15 graus, no máximo). No outono, a paisagem está mudando, saindo do inverno, e a transição é linda. O verde começa a aparecer em meio ao gelo e à neve. O auge do inverno pode ser muito escuro e frio, mas tem a Aurora Boreal, por exemplo. São épocas diferentes para atividades e paisagens distintas. Todas valem a pena.

Ir à Islândia é se acostumar e gostar do cheiro de enxofre característico da água potável e abundante, caminhar ou dirigir snowmobiles em geleiras, ou escalar, navegar por lagoa glacial, caminhar pelos campos de lava, percorrer quilômetros de fiordes com cidadezinhas charmosas encravadas em suas fendas. Tem ainda cavernas e vulcões, a rodovia 1 (uma ring road que dá a volta no país), penhascos e montanhas. 

Na Islândia não se vai para comprar. A Islândia é para se ver.

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Como chegar?

Do Brasil, o mais prático (e perto) é ir para Londres e de lá pegar um voo direto para a Islândia. A Icelandair tem dois voos diários. Ir à noite e do lado direito do avião dá mais chance de ver a Aurora Boreal ou o sol da meia noite no verão.

Onde ficar?

Da primeira vez, fiquei em albergue. Dessa última, mesclei AirBnB e pequenos hotéis no interior. Existem muitos sites bem feitos com dicas e informações de viagem à Islândia. Alguns deles:

http://www.westfjords.is
http://inspired.visiticeland.com
http://www.visiticeland.com
http://www.iceland.is
http://grayline.is
https://www.extremeiceland.is/en/

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Quanto tempo aguenta ficar sem viajar?

Tenho tentado planejar e viajar de seis em seis meses. Nem sempre é possível, claro. 

Viajar significa…

Viajar, pra mim, é tipo ano novo: é quando renovo as energias e traço alguns planos, é quando reavalio e repenso como e para onde estou indo, é quando paro realmente e desligo. E recomeço. Quando viajo, minha única preocupação é procurar diferentes ângulos para as minhas fotos. Minha maior preocupação e meu maior prazer. Acho que ninguém viu todas as fotos que sempre tiro. Dessa vez, foram 1.982.

Fotos: Rafael Monaco

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2 comentários

  1. Adoro o Rafa, meu primeiro parceiro de bancada :), e a Islândia, que ainda não pude conhecer pessoalmente. Mas depois desse post, vou me empenhar em ir ainda neste verão! Lindas fotos! Parabéns pelo blog, adorei a proposta!

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