Todos os posts em: Escolhas

Desculpe a Demora

Sempre tive pressa. Uma pressa de viver. Nasci no oitavo mês da gestação e, claro, nem precisei de UTI neonatal. O útero até era um lugar bacana, mas aqui fora parecia melhor. Fui a criança no meio de adultos, minhas irmãs adolesciam quando cheguei. Isso me deu pressa de crescer. Aos 14 anos arrumei meu primeiro emprego. Vetado, é claro, por pais responsáveis. Chorei até os 17, quando finalmente estreei a carteira de trabalho. Eram duas faculdades; inglês, francês e espanhol; e um emprego de meio período. Seria perfeito se, aos 19, não tivesse adoecido. Um mal-estar súbito, uma cirurgia de urgência, um diagnóstico assustador: câncer. Para tudo! Não, não comigo. Suspendi apenas as fotos de toda e qualquer ordem e a faculdade, essa só por seis meses. Arrumei alunos particulares de inglês – a família do pediatra Márcio Lisboa e o então tarólogo Veet Vivarta, hoje um dos importantes nomes da ANDI –, mencionados aqui em gratidão. Sarei (bonita palavra, não?), abandonei um dos cursos superiores, me graduei em jornalismo, fui a comunicóloga mais …

La Dolce Vita di Doris

Ela tem uma incrível capacidade de garimpar beleza, talento que virou negócio, a conhecida loja de objetos e utensílios para casa Coisas da Doris. Hoje, está nas mãos da filha, já que Doris Sochaczewski e o marido, Valentino Fialdini, subiram no tapete. O casal mudou-se para a Itália em maio de 2014. Doris fez da transformação de um antigo estábulo em casa e hotel-butique um verdadeiro conto de fadas acompanhado por milhares de seguidores. Só no Instagram, 17 mil vivenciam a aventura que tem como cenário Todi, na região da Umbria. “Posso dizer que, mesmo abrindo mão de todas as mordomias que tinha no Brasil, me sinto muito mais feliz aqui”, afirma, ressaltando ainda o valor da simplicidade. O novo lar dos Fialdini foi montado com as coisas da Doris, as que levou do Brasil, as que encontrou em feiras de antiguidades nos arredores de Todi e as que adquiriu em lojas de design. Graças às suítes disponíveis para hospedagem, batizadas de Amore e Passione, será possível contemplar e experimentar esse jeito original de ver …

Café com Clarice

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. A frase de Clarice Lispector me remete a outra Clarice. Com sobrenome Dewes, de origem anglo-saxônica, aos 31 anos já promoveu boas reviravoltas. Depois de 5 anos como advogada, embarcou numa nova profissão, tornou-se consultora de imagem, formada – nada mais, nada menos – por Ilana Berenholc. E eis que no último dezembro sacudiu o tapete e montou um spa zen. Marco um café para compreender o que fica e o que sai na vida da minha amiga Clarice. E ela me conta: “Imagem é pouco. Preciso ir além e cuidar também do bem-estar dos clientes”. Mais uma pessoa reinventa seu trabalho em busca da felicidade. De novo penso sobre a dissolução das fronteiras entre as profissões. Impossível não lembrar da pergunta que outra amiga, a espanhola Rosa, escreveu na minha timeline: “Afinal, o que é mesmo que você faz agora?”. Ocorre que diminui consideravelmente a distância entre quem sou e o que faço. Tenho algumas profissões que, quando em interseção, se tornam algo único. Assim …

Uma Academia Diferente

Atender é encontrar. Essa é uma de minhas falas mais incisivas durante os módulos que compõem a Academia do Atendimento. O projeto, destinado ao setor de saúde, é atualmente uma de minhas atividades profissionais, já que permite a conciliação com as viagens. Mas, não é só isso: permite também que eu fale sobre a importância de trabalhar de maneira intencional. A atividade está em total coerência com o que decidi fazer: dar a minha vida real sentido. E quando estou com grupos de profissionais de áreas técnicas e administrativas, pessoas que em seu dia a dia cuidam de outras pessoas, tenho a oportunidade de atuar sobre o resgate e o fortalecimento do propósito que as motivou a estarem ali no ambiente hospitalar. Se de um lado tenho uma história de 18 anos no setor, do outro carrego a vivência de ter sido paciente, de ter enfrentado e vencido um câncer aos 19 anos. Foi da soma de estudo, experiência e memórias que concebi o treinamento composto por seis módulos, que conta com a participação de …

Das Novas Formas do Trabalho: Nomadismo Digital

Em 2015, existe um universo de possibilidades no que diz respeito à forma de trabalhar. E se você ainda pensa em home office, está na hora de conhecer o nomadismo digital. Enquanto milhões (bilhões!) de pessoas no planeta enfrentam o trânsito para chegar ao escritório, os nômades mudam de continente. Por opção, eles não têm endereço fixo, costumam passar temporadas em diferentes países, de onde trabalham a partir de uma base digital. Os nômades me parecem ser a melhor expressão do nosso tempo. Gente que se apossou da tecnologia para ser, de certa forma, livre – ao contrário dos tantos que são reféns dela. Solitários? Não necessariamente. Como novo fenômeno social, o nomadismo começa a criar suas formas de agrupamento. O Find a Nomad é uma delas. Com o aplicativo, você tem acesso ao mapa mundi, repleto de outros nômades devidamente identificados. Vai passar uma temporada em Sevilha? Basta checar se há alguém nas redondezas. Incríveis mesmo são os cowork offices destinados aos andarilhos hitech. A diferença é que possuem não só um espaço de …

Diário do 50º Dia

Há exatos 50 dias, mudei radicalmente meu estilo de vida. E à medida que a rotina torna-se mais leve, mais flexível e com mais sentido, vejo minha reserva de contentamento aumentar. A ciência afirma que um ser humano que realiza atividades criativas e altruístas experimenta a felicidade em seus patamares mais elevados. De minha parte, agrego: é preciso ter tempo para ser feliz. Não tenho trabalhado pouco. Contudo, tenho trabalhado e vivido intencionalmente. Presente, no aqui-agora, atenta a cada decisão. Com responsabilidade, tenho declinado dos convites que me conduziriam a posições confortáveis, mas que me devolveriam de pronto ao ponto de partida. Não quero voltar. Na mitologia grega, Sísifo é condenado a rolar uma enorme pedra até o cume de uma montanha. Toda vez que alcança o topo, a pedra rola montanha abaixo. Ele recomeça sua tarefa, eterna. O que pode romper essa dor? A consciência, defendeu Albert Camus. Sugestão de Leitura O Mito de Sísifo, Albert Camus O que a Ciência Ensina sobre Cérebros Felizes