Todos os posts com a tag: Anywhere Office

Desatadoras de Nós

Lili e Nolah deixaram para trás uma vida executiva para se tornarem coaches. Pergunto a elas: mas, afinal, o que faz um coach? A dupla me explica que a linha que adota, a ontológica, busca promover mudanças na forma como o indivíduo vê o mundo. “Nas sessões, criamos contextos para que a pessoa tenha insights, faça novas declarações perante a vida e, com isso, desfaça impossibilidades criadas por ela mesma e que a impedem de realizar o que deseja”, descrevem. Explico que recebo e-mails de pessoas que afirmam ser impossível fazer o que fiz: encerrar um longo ciclo profissional para me tornar uma workation-er. Por isso estou ali. Segundo Lili, as impossibilidades muitas vezes nascem na infância, a partir do que ouvimos ou de como interpretamos o que ouvimos: “Ocorre que não somos mais crianças, hoje é um novo momento. Através da linguagem, das conversas que estabelecemos com o coachee, atualizamos essa realidade e ele consegue abrir novas portas”. Nolah completa: “A palavra é ação. Novas declarações feitas geram novas chances. Você mesmo um dia …

Desculpe a Demora

Sempre tive pressa. Uma pressa de viver. Nasci no oitavo mês da gestação e, claro, nem precisei de UTI neonatal. O útero até era um lugar bacana, mas aqui fora parecia melhor. Fui a criança no meio de adultos, minhas irmãs adolesciam quando cheguei. Isso me deu pressa de crescer. Aos 14 anos arrumei meu primeiro emprego. Vetado, é claro, por pais responsáveis. Chorei até os 17, quando finalmente estreei a carteira de trabalho. Eram duas faculdades; inglês, francês e espanhol; e um emprego de meio período. Seria perfeito se, aos 19, não tivesse adoecido. Um mal-estar súbito, uma cirurgia de urgência, um diagnóstico assustador: câncer. Para tudo! Não, não comigo. Suspendi apenas as fotos de toda e qualquer ordem e a faculdade, essa só por seis meses. Arrumei alunos particulares de inglês – a família do pediatra Márcio Lisboa e o então tarólogo Veet Vivarta, hoje um dos importantes nomes da ANDI –, mencionados aqui em gratidão. Sarei (bonita palavra, não?), abandonei um dos cursos superiores, me graduei em jornalismo, fui a comunicóloga mais …

Monaco na Islândia

Rafael Monaco tem características que adoro: é dono de uma crítica inteligente e de um senso de humor ímpar. Quando junta ambos, é brilhante. Há pouco, descobri mais um lado adorável do jornalista gaúcho: ele sabe viajar. Recentemente ele pegou seu tapete e foi para a Islândia. E é sobre a experiência que conversamos. Por que a Islândia? Eu costumo dizer que a Islândia não é simplesmente outro país. A Islândia é outro planeta. Quando eu pousei lá pela primeira vez, em 25 de junho de 2010, o sol da meia-noite iluminava os campos de lava a perder de vista ao redor do aeroporto de Keflavík. Então, de um lado estava o oceano, de outro os campos de lava e o sol da meia-noite. Uma combinação indescritível. Ali eu soube que aquela seria a primeira de muitas vezes.  Não, a Islândia não é só uma ilhazinha perdida lá em cima no mapa, onde tudo é cinza e as pessoas tristes. No mundo da Islândia, o que mais tem é cor, principalmente da natureza. Os nativos são divertidos, simpáticos, solícitos …

Ter Sorte Dá Trabalho

Estou sentada em uma poltrona. A poltrona está no palco. À minha frente, a plateia. Ao meu lado, duas grandes mulheres e a anfitriã. Estou muito feliz. Que sorte ter aceito o convite. Ou melhor, que sorte tê-lo recebido. Pesquisadores, vez ou outra, se debruçam sobre o acaso, em especial, o acaso feliz ou aquilo que em inglês se chama serendipity. Em português, o mais próximo seria sorte, essa mesma que experimentei. Ocorre que, visto de perto e sob lentes de aumento, o acaso feliz tem pré-requisitos. Em primeiro lugar, é preciso estar aberto às possibilidades – sem isso, passarão despercebidas. Meu pai citava sua avó que, por sua vez, citava um dito popular: “A oportunidade é um cavalo que passa sem cela, uma vez só”. Algumas pessoas conseguem ver o cavalo se aproximando, outras apenas quando já passou. E há, ainda, aqueles que perguntam: “Que cavalo?”. É fácil perceber uma segunda característica nos ditos sortudos: atitude. Mas, não uma atitude qualquer. Ela é precedida por pensamento ágil e flexibilidade. O acaso é um lapso, …

No Sofá da Hebe

Chegaram as fotos do Papo de Mulher, projeto super bacana capitaneado pelas coaches  Nolah Lima e Liliane Sant’Anna. Eu dividi o sofá com Janete Vaz – fundadora do premiado Laboratório Sabin – e Carolina Rezende – criadora do Mulher de Negócio.  Minhas amigas convidadas, a âncora Lili e o auditório repleto de mulheres lindas transformaram a noite em algo muito especial. O evento me encheu de alegria e me deu a certeza de que há muita gente querendo conhecer as novas formas de viver e trabalhar.

Herança Genética

O alemão possui uma palavra para descrever o desejo incontrolável de viajar, explorar o mundo, desbravar horizontes. Wanderlust (wandern = caminhar, passear, migrar + lust = desejo) deve ter sido a razão pela qual Vasco da Gama, Colombo e Cabral cruzaram oceanos rumo ao desconhecido. Na ficção, quem não se lembra de Forrest Gump atravessando os Estados Unidos numa espécie de maratona pessoal? Possivelmente um caso agudo de wanderlust. Para a ciência, a questão pode ser genética. Atende pelo nome de DRD4, um gene relacionado a aspectos bem específicos, entre eles a busca pela novidade. Dos vários estudos envolvendo o Receptor de Dopamina D4 (esse é o nome completo do rapaz!), um evidenciou sua associação aos padrões de migração populacional na pré-história. Comparados aos grupos sedentários, os migratórios apresentavam a mesma variação no DRD4, o chamado DRD4-7r. Cerca de 20% da população mundial carrega o gene da aventura. Talvez isso explique porque algumas pessoas celebram as mudanças. Além da sede por carimbos no passaporte, uma boa pista é a própria árvore genealógica. Se você, assim …

Os Surfistas da Era Pós-Digital

Bem-vindo à era pós-digital, que se caracteriza pela presença imperceptível da conexão. O digital não mais amedronta ou fascina, tornou-se trivial. E o que incomoda mesmo é a sua ausência. Restaurante que não oferece wifi caracteriza quase falta de educação com o cliente. Os mais ligados, já deixam a chave da rede em um display na mesa, porque ela será demandada antes mesmo do cardápio. Não é por acaso que um mar de gente decidiu viajar trabalhando ou trabalhar viajando. A era pós-digital, como todas as que a antecederam, é marcada por mudanças no comportamento social. Assim nasceram os Nômades Digitais, os Workation-ers e os Jobbatical-ers.  Os primeiros não têm endereço fixo, seguem mudando de país e carregam tudo que têm na mala. Os segundos levam o trabalho consigo quando viajam e fazem de qualquer destino seu escritório. E os terceiros usam oportunidades de trabalho temporário no exterior como forma de experimentar outras culturas. Todos têm seus projetos de vida viabilizados pela conexão – são surfistas digitais. O mais interessante é que alguns são surfistas mesmo. O Surf Office possui duas unidades, uma na Santa Cruz, na Califórnia …

Mala com Alça

Workation exige organização. Só o checklist tecnológico garante uma bagagem de bom tamanho – de mão, é claro, porque ninguém vai correr o risco de ver seus equipamentos se perderem em uma conexão. Depois de pesquisar, chego aos seguintes itens: Laptop Tablet (na primeira viagem vou descobrir se ele realmente é necessário) Smartphone (40% dos workation-ers contam com o celular para estarem alcançáveis a maior parte do tempo) Charger (no momento meu objeto de desejo chama-se Puku) Protetores de tela e cases para os equipamentos Câmera fotográfica Monopod (sim, eu assumo: faço selfies) Fones GoPro Skype instalado Nuvem devidamente abastecida com todos os arquivos de trabalho Para não ter surpresas é importante viajar com a nota fiscal dos produtos importados adquiridos no Brasil. Já que o formulário para declarar a saída de eletrônicos foi extinto, é na volta que se preenche a Declaração Eletrônica de Bens do Viajante (e-DVB). Equipamentos fabricados no Brasil obviamente estão isentos. Também na preparação, é necessário estabelecer o expediente que será praticado – no meu caso, para que possa informar …

O Melhor de Mim

No dia 20 de março estarei no teatro do Brasília Shopping, ao lado de duas mulheres admiráveis. Junto com Janete Vaz – fundadora do premiado Laboratório Sabin – e Carolina Rezende – criadora do Mulher de Negócio, vou falar sobre bem-estar. O convite foi feito pelo projeto “O Melhor de Mim”, sugestivo nome dado pelas coaches Nolah Lima e Liliane Sant’Anna. Eu e o Tapete estaremos por lá a partir das 19h. O acesso é gratuito, mas as vagas são limitadas. Então, clique aqui  para reservar a sua. Foto: Raquel Pellicano PS: Olha que lindeza o vídeo de cobertura do evento

Café com Clarice

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”. A frase de Clarice Lispector me remete a outra Clarice. Com sobrenome Dewes, de origem anglo-saxônica, aos 31 anos já promoveu boas reviravoltas. Depois de 5 anos como advogada, embarcou numa nova profissão, tornou-se consultora de imagem, formada – nada mais, nada menos – por Ilana Berenholc. E eis que no último dezembro sacudiu o tapete e montou um spa zen. Marco um café para compreender o que fica e o que sai na vida da minha amiga Clarice. E ela me conta: “Imagem é pouco. Preciso ir além e cuidar também do bem-estar dos clientes”. Mais uma pessoa reinventa seu trabalho em busca da felicidade. De novo penso sobre a dissolução das fronteiras entre as profissões. Impossível não lembrar da pergunta que outra amiga, a espanhola Rosa, escreveu na minha timeline: “Afinal, o que é mesmo que você faz agora?”. Ocorre que diminui consideravelmente a distância entre quem sou e o que faço. Tenho algumas profissões que, quando em interseção, se tornam algo único. Assim …